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Pelas águas do Guajará, a fé navega com a Rainha da Amazônia
Romaria Fluvial reúne centenas de embarcações em Belém e revela histórias de devoção, gratidão e esperança de peregrinos que acompanham Nossa Senhora de Nazaré
Por Murilo Galhardo
Publicado em 10/10/2026 22:11
Paróquias, Santuários e Capelanias
Círio de Nazaré 2026

A fé ganhou as águas da Amazônia neste sábado, 10 de outubro. Em Belém, no Pará, a tradicional Romaria Fluvial do Círio de Nazaré reuniu centenas de embarcações que acompanharam a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré pela Baía do Guajará. Entre orações, cânticos e manifestações de carinho à Rainha da Amazônia, a procissão revelou histórias de pessoas que encontram na devoção a Maria uma expressão de gratidão, esperança e amor.

A travessia teve início no distrito de Icoaraci e seguiu por aproximadamente 18,5 quilômetros até a Escadinha do Cais do Porto, no centro da capital paraense. Ao longo do percurso, barcos de diferentes tamanhos formaram um cenário marcado pela religiosidade popular e pela relação do povo amazônico com suas águas.

Mais do que um espetáculo de fé, a Romaria Fluvial representa a oportunidade de viver uma experiência que, para muitos devotos, parecia distante.

Há mais de 15 anos, uma iniciativa ligada às comunidades de Ananindeua busca aproximar os fiéis dessa tradição. Conhecido como Chicão Senador, um dos responsáveis pela iniciativa conta que a proposta nasceu do desejo de proporcionar a participação de pessoas que não tinham condições de acompanhar a procissão. Atualmente, segundo ele, o passeio fluvial reúne entre 1.800 e 2.000 participantes.

Para Chicão, a experiência também é uma oportunidade de agradecer pelas graças alcançadas e compartilhar a alegria de estar próximo de Nossa Senhora de Nazaré.

Histórias que navegam com a fé

Entre os peregrinos, cada olhar carrega uma história e cada viagem tem um significado especial. Para João Luiz, morador de Belém, a participação na Romaria Fluvial foi uma experiência inédita e emocionante.

“Essa é a minha primeira vez e a minha experiência está sendo maravilhosa”, contou. Cercado por pessoas que compartilham a mesma devoção, ele destacou a beleza de ver tantos fiéis reunidos em torno de Nossa Senhora.

A força dessa tradição também ultrapassa as fronteiras do Pará. Suely Lopes, do Rio de Janeiro, encontrou nas águas do Guajará uma manifestação de fé que considera incomparável.

“Quem puder vir aqui e participar disso aqui, porque isso aqui não existe em lugar nenhum no mundo. É só aqui. É uma experiência única”, afirmou, emocionada.

Os relatos mostram que, embora cada peregrino tenha seus próprios motivos para participar, todos compartilham o sentimento de pertencimento a uma celebração que atravessa gerações e ocupa um lugar especial na identidade do povo paraense.

Para Ana Cristina, de Belém, a grandeza do Círio está justamente naquilo que não pode ser traduzido em palavras.

“O Círio a gente não consegue explicar, a gente vive, a gente vive o Círio”, declarou. Em seu depoimento, ela também expressou o desejo de que outras pessoas possam experimentar a mesma emoção.

Uma devoção que atravessa gerações

Realizada na véspera da grande procissão do Círio de Nazaré, a Romaria Fluvial é uma das manifestações mais simbólicas da festividade. Nas águas do Guajará, a devoção mariana encontra a paisagem amazônica e revela uma fé que se manifesta nas embarcações, nas famílias, nas comunidades e nas histórias de quem participa.

É nesse encontro entre tradição e espiritualidade que o Círio reafirma sua dimensão humana. Não se trata apenas de acompanhar uma imagem, mas de celebrar a esperança, renovar a confiança e reconhecer, na presença materna de Maria, um sinal de acolhimento e amor.

A Rádio Amar e Servir acompanhou a Romaria Fluvial e ouviu peregrinos que compartilharam suas experiências durante a travessia.

Nas águas que fazem parte da vida do povo amazônico, a fé também encontrou seu caminho. E, entre tantos barcos, rostos e histórias, permaneceu um sentimento comum: o amor de um povo por Nossa Senhora de Nazaré, sua Rainha da Amazônia.

Rádio Amar e Servir, transmitindo a fé no Círio de Nazaré.

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