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Igreja é chamada a evangelizar no digital e reencontrar o essencial da fé
Em entrevista à Rádio Amar e Servir, padre Fábio Marinho reflete sobre missão, discernimento e os desafios da evangelização nos novos ambientes
Por Murilo Galhardo
Publicado em 17/04/2026 21:18
62ª AGCNBB

A missão de evangelizar sempre levou a Igreja a atravessar fronteiras. Se antes essas fronteiras eram geográficas, hoje elas também são digitais. As redes sociais e os novos meios de comunicação se tornaram espaços onde milhões de pessoas vivem, se expressam e buscam sentido para a própria vida. Diante dessa realidade, a Igreja no Brasil, reunida na Assembleia dos Bispos, também se debruça sobre esse cenário, refletindo caminhos para que o anúncio do Evangelho continue alcançando o coração das pessoas.

As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil já indicam que a missão não muda, mas os contextos sim. Evangelizar, portanto, é também reconhecer onde o povo está e como se comunica. O ambiente digital, nesse sentido, não é apenas um instrumento, mas um verdadeiro campo missionário, que exige presença, responsabilidade e profundidade. Não basta ocupar espaço; é preciso testemunhar, formar e acompanhar.

Em entrevista à Rádio Amar e Servir, o padre Fábio Marinho, da Diocese de Uberlândia, oferece uma contribuição que ajuda a iluminar esse desafio a partir da experiência concreta. Atuando hoje no ambiente digital, ele expressa uma vivência que nasce da missão e da fidelidade ao chamado de evangelizar, mesmo em meio às limitações pessoais.

“Tenho trabalhado no ambiente digital como evangelizador e, sobretudo, como catequista.”

Sua fala evidencia que a evangelização no digital não se reduz à produção de conteúdo, mas se insere em um processo mais profundo de formação da fé. Ao mesmo tempo, ele aponta para uma realidade que interpela toda a Igreja: a dificuldade de muitos fiéis em reconhecer o que é central na vivência cristã.

“Percebemos que o povo católico tem se perdido um pouco dentro do que é essencial, dentro do que é devocional.”

Essa constatação se conecta diretamente com o esforço da Igreja em recentrar sua missão no anúncio de Jesus Cristo. Em meio a tantas vozes, práticas e expressões, cresce a necessidade de ajudar as pessoas a reencontrarem o núcleo da fé, aquilo que sustenta e orienta a vida cristã. Evangelizar no ambiente digital, portanto, também é um exercício de discernimento, tanto para quem anuncia quanto para quem escuta.

Nesse horizonte, emerge a importância da dimensão profética da Igreja. Evangelizar não é apenas transmitir mensagens, mas iluminar a realidade à luz do Evangelho, formar consciências e assumir uma postura coerente diante dos desafios do mundo contemporâneo, inclusive nas redes sociais.

“É preciso recuperar a funcionalidade da Igreja enquanto ação profética.”

A Assembleia dos Bispos, ao refletir sobre os rumos da Igreja no Brasil, reforça essa urgência de uma presença missionária que seja, ao mesmo tempo, fiel, consciente e encarnada na realidade atual. O ambiente digital, nesse contexto, deixa de ser periférico e passa a ser compreendido como parte integrante dessa missão.

Ao final, a fala de padre Fábio recorda um princípio fundamental da vida eclesial: a comunhão. Em tempos de muita exposição e opiniões diversas, especialmente nas redes, a unidade se torna um testemunho ainda mais necessário.

“Em tudo, a Igreja. Se tivermos que errar, que a gente erre com a Igreja.”

Essa confiança se apoia na certeza de que a missão não é obra individual, mas ação conduzida pelo próprio Deus na história.

“Temos que confiar que tudo é obra do Espírito Santo. Nada é nosso. É o Espírito Santo quem conduz.”

Assim, entre desafios e possibilidades, a evangelização no ambiente digital se apresenta como um chamado concreto para a Igreja de hoje. Um convite a estar presente onde as pessoas estão, sem perder a profundidade da fé, e a anunciar, também nesse novo espaço, aquilo que nunca muda: o essencial do Evangelho.

 

 

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