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Com apelo à paz, comunhão e missão, tem início em Aparecida a Assembleia Geral dos Bispos do Brasil
Abertura reúne lideranças da Igreja e autoridades, marca retomada do encontro e reforça o compromisso com a vida, a unidade e a evangelização no país
Por Murilo Galhardo
Publicado em 15/04/2026 14:47 • Atualizado 15/04/2026 14:48
Igreja
Abertura 62ª Assembleia Geral dos Bispos

Teve início nesta quarta-feira (15), no Santuário Nacional de Aparecida, a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, reunindo o episcopado brasileiro em um dos momentos mais significativos da vida da Igreja no país.

A cerimônia de abertura foi marcada por discursos que evidenciaram a centralidade da missão evangelizadora, o compromisso com a paz e a responsabilidade da Igreja diante dos desafios sociais e políticos do tempo presente.

O presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, destacou a identidade da Igreja como anunciadora do Evangelho em meio às tensões do mundo atual. Ao recordar palavras do Papa, reforçou que “a Igreja não faz política, ela anuncia o Evangelho”, sublinhando o papel da instituição na construção de pontes de paz e reconciliação.

Em sua fala, Dom Jaime também chamou atenção para a credibilidade da Igreja junto à sociedade brasileira, ressaltando que esse reconhecimento exige um compromisso ainda maior com a vida, especialmente dos mais vulneráveis, e com a verdade e a coragem profética, sobretudo em contextos desafiadores.

A abertura contou ainda com a mensagem do Papa Leão XIV, que convidou os bispos a serem promotores da paz em um mundo marcado por conflitos. “A verdadeira paz nasce do reconhecimento de que somos todos irmãos”, afirmou, ao incentivar que os trabalhos da assembleia aconteçam em espírito de unidade, harmonia e comunhão.

O Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, também reforçou o chamado missionário da Igreja, evocando a passagem dos Atos dos Apóstolos: “Ide falar ao povo”. Segundo ele, a assembleia deve ser uma “aurora de comunhão e coragem missionária”, capaz de impulsionar a Igreja a sair ao encontro das realidades do povo brasileiro.

Em tom acolhedor, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, destacou o significado espiritual do encontro, comparando a assembleia a um verdadeiro Pentecostes. “Este centro de eventos é o cenáculo”, afirmou, convidando os participantes a viverem uma profunda experiência de sinodalidade e comunhão.

A dimensão institucional e social do evento também esteve presente na mensagem do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que ressaltou o papel histórico da CNBB na defesa da democracia e dos mais pobres, além de reafirmar a importância da colaboração na construção de um país mais justo e solidário.

Após a impossibilidade de realização no ano anterior, a retomada da Assembleia Geral é vivida como um momento de graça e reencontro. Conforme previsto no estatuto da Conferência, o encontro é a instância máxima de comunhão, corresponsabilidade e exercício do afeto colegial entre os bispos do Brasil.

Ao longo dos próximos dias, os participantes irão refletir e deliberar sobre temas centrais para a caminhada da Igreja, incluindo as diretrizes da ação evangelizadora no país, em sintonia com os desafios contemporâneos.

Sob o olhar materno de Nossa Senhora Aparecida, os bispos são chamados a discernir, à luz do Espírito, os caminhos da missão, em um tempo que pede unidade, coragem e esperança.

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